Yields americanas dão salto após Kevin Warsh sinalizar mais subidas de juros
O presidente da Fed afirmou em Jackson Hole que a inflação continua elevada e que há trabalho por fazer, elevando a probabilidade de uma subida de juros em setembro.
O presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, adotou um tom hawkish no seu discurso principal em Jackson Hole, Wyoming, ao alertar que o banco central norte-americano ainda tem "trabalho a fazer" para colocar a inflação sob controlo. As declarações impulsionaram de imediato o rendimento das obrigações do Tesouro de curto prazo, refletindo o endurecimento das perspetivas para a política monetária.
Apesar de as leituras do PCE e do CPI durante o verão terem ficado acima do esperado, Warsh sublinhou que esses números não mostram uma melhoria significativa das tendências subjacentes. O responsável enfatizou a necessidade de garantir que a inflação caminha de forma clara e rápida para o objetivo fixado, sob pena de a instituição ter de agir.
A postura firme da autoridade monetária alterou o sentimento dos investidores. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de um aumento da taxa de juro na reunião de setembro subiu para 61,5%, perante os 35,4% registados no dia anterior.
Estrategistas de obrigações, como Vail Hartman da BMO, destacam que o discurso foi intencionalmente rigoroso, dissipando dúvidas quanto à determinação da Reserva Federal em elevar os juros para assegurar a estabilidade de preços, mesmo num momento em que a dívida de prazo mais longo enfrenta forte pressão de venda.
Impacto nos mercados
A reação nos mercados de dívida fez a yield das obrigações a 2 anos disparar mais de 10 pontos de base para 4,337%, enquanto a taxa a 10 anos subiu mais de 4 pontos de base para 4,72%. Na maturidade a 30 anos, o rendimento fixou-se nos 5,204%. O movimento traduz-se numa desvalorização no preço dos títulos do Tesouro dos EUA e num agravamento das condições financeiras globais.
Artigo da redação da Bull Value a partir de fontes noticiosas internacionais. Não constitui recomendação de investimento.
Fontes originais: CNBC