Glossário

Tudo o que precisas de saber para investir com convicção.

A
Ações em Circulação

O número total de ações detidas por todos os acionistas, incluindo institucionais, insiders e o público. Este número sobe quando a empresa emite novas ações (diluição, negativo porque os lucros ficam mais diluídos) e desce quando recompra ações (buybacks, geralmente positivo porque os lucros concentram-se em menos ações). Acompanhar a contagem de ações ao longo de 5-10 anos diz-te se a gestão está a criar ou destruir valor para o acionista.

Ações em Circulação

O número total de ações de uma empresa atualmente detidas por todos os investidores. Se este número sobe (diluição), a tua fatia da empresa fica mais pequena. Se desce (recompra de ações), a tua fatia fica maior sem fazeres nada.

Ativos Fixos Tangíveis (PP&E)

Ativos físicos de longo prazo vitais para as operações, como fábricas, terrenos, edifícios e maquinaria pesada. Negócios de capital intensivo (como companhias aéreas ou siderúrgicas) têm um PP&E massivo, exigindo capital de manutenção constante.

B
Bear Market (Mercado Urso)

Uma queda prolongada nos preços das ações, tipicamente de 20% ou mais desde um pico recente. Habitualmente acompanhado por pessimismo económico, aumento do desemprego e contração dos lucros empresariais. Desde 1928, o S&P 500 passou por cerca de 26 bear markets com uma queda média de 36% e duração de aproximadamente 9,6 meses. Embora sejam aterradores no momento, todos os bear markets na história do S&P 500 foram eventualmente seguidos por novos máximos históricos. Historicamente, as melhores oportunidades de compra para investidores pacientes.

Bull Market (Mercado Touro)

Um período sustentado de subida nos preços das ações, geralmente de 20% ou mais desde um mínimo recente, com otimismo económico, lucros fortes e confiança dos investidores. Os bull markets duram significativamente mais do que os bear markets. A média desde 1928 durou cerca de 2,7 anos com um ganho de 114%. O mais longo da história dos EUA estendeu-se de março de 2009 a fevereiro de 2020, quase 11 anos. O touro ataca empurrando os chifres para cima, simbolizando impulso ascendente. O nome BullValue vem diretamente disto.

C
CAGR (Taxa Composta de Crescimento Anual)

A taxa de crescimento anual constante que levaria um investimento do ponto A ao ponto B num dado período. Se a receita foi de 100M€ para 200M€ em 5 anos, o CAGR é cerca de 14,9%. Suaviza as oscilações voláteis de ano para ano e dá-te a "velocidade real" do crescimento. Essencial para comparar empresas com pontos de partida e horizontes temporais diferentes.

Caixa e Equivalentes

Os ativos mais líquidos do balanço, incluindo dinheiro físico e ativos que podem ser convertidos em dinheiro imediatamente, como obrigações do tesouro de curto prazo. É a rede de segurança máxima da empresa e o "fundo de guerra" para aquisições.

CAPEX (Despesas de Capital)

Dinheiro gasto na aquisição, manutenção ou melhoria de ativos físicos de longo prazo: fábricas, equipamentos, servidores, imobiliário. O Capex é subtraído ao fluxo de caixa operacional para obter o fluxo de caixa livre. Empresas de software precisam de Capex mínimo face à receita e geram FCF abundante. Indústrias intensivas em capital como petróleo, companhias aéreas e telecomunicações precisam de reinvestir constantemente só para continuarem a operar. Compreender a intensidade de Capex é chave para avaliar a verdadeira geração de caixa.

Capital Próprio

O valor líquido de uma empresa. Calcula-se subtraindo o Total de Passivos ao Total de Ativos. Representa a quantia de dinheiro que seria devolvida aos acionistas se todos os ativos fossem liquidados e as dívidas pagas.

Capitalização de Mercado

Preço da ação multiplicado pelo número total de ações em circulação. Categoriza as empresas por tamanho: Mega-cap (>200B$), Large-cap (10-200B$), Mid-cap (2-10B$), Small-cap (300M-2B$), Micro-cap (<300M$). Empresas maiores tendem a ser mais estáveis mas crescem mais devagar. As menores oferecem mais potencial de crescimento com mais risco. A capitalização de mercado não é o "preço" de uma empresa. Para isso, precisas do Enterprise Value, que soma a dívida e subtrai o caixa.

Compensação em Ações (SBC)

Pagar aos empregados com ações do negócio em vez de dinheiro. Embora poupe dinheiro à empresa no curto prazo, dilui os acionistas existentes. Muitas tecnológicas reportam enormes Fluxos de Caixa Livres apenas porque pagam aos empregados em ações.

Contas a Pagar

Dinheiro que a empresa deve aos seus fornecedores por bens e serviços comprados a crédito. Uma empresa bem gerida estica este prazo o máximo possível, usando efetivamente os fornecedores como financiamento gratuito de curto prazo.

Contas a Receber

Dinheiro que os clientes devem à empresa por bens ou serviços que já foram entregues mas ainda não pagos. Se crescer muito mais rápido que a receita, pode significar que a empresa está com dificuldades em cobrar.

Custo da Receita / CMV

Os custos diretos imputáveis à produção dos bens ou serviços vendidos pela empresa. Para um fabricante, inclui matérias-primas e mão-de-obra da fábrica. Para uma empresa de software, inclui custos de servidores. Subtrair isto à receita dá o Lucro Bruto.

D
DCF (Fluxos de Caixa Descontados)

Um método de avaliação que estima quanto uma empresa vale hoje com base no dinheiro que vai gerar no futuro. Cada euro futuro é "descontado" ao presente porque um euro hoje pode ser investido. Projetas os fluxos de caixa livres para 5 a 10 anos, descontas usando o WACC, e somas um valor terminal. O resultado é o valor intrínseco por ação. Se a ação está abaixo desse número, podes ter encontrado uma oportunidade com uma boa margem de segurança.

Depreciação e Amortização

Um método contabilístico para distribuir o custo de um ativo tangível ou intangível ao longo da sua vida útil. É uma despesa não monetária. Por exemplo, se uma fábrica custa 10M€ e dura 10 anos, a empresa regista 1M€ de despesa por ano, embora o dinheiro já tenha sido gasto.

Despesas de Capital (CapEx)

Fundos usados pela empresa para adquirir, atualizar e manter ativos físicos como propriedades, fábricas ou tecnologia. Negócios com alto CapEx frequentemente lutam para gerar Fluxo de Caixa Livre porque precisam de reinvestir constantemente para sobreviver.

Despesas Operacionais (OpEx)

Os custos necessários para gerir o dia-a-dia do negócio que não estão diretamente ligados à produção de bens. Inclui rendas, salários administrativos, marketing e I&D. Manter as despesas operacionais sob controlo é crucial para converter lucro bruto em lucro operacional.

Dívida de Curto Prazo

Quaisquer obrigações financeiras ou empréstimos que têm de ser pagos no prazo de um ano. Dívida de curto prazo elevada durante uma crise económica é extremamente perigosa, pois se os mercados de crédito congelarem, a empresa pode não conseguir refinanciar.

Dívida de Longo Prazo

Empréstimos e obrigações financeiras com maturidade superior a um ano. Embora dívida barata possa amplificar os retornos dos acionistas, demasiada dívida de longo prazo torna a empresa frágil a choques de taxas de juro e recessões.

Dívida Total

A soma de todos os passivos remunerados (com juros) de curto e longo prazo. Representa o montante total de dinheiro pedido emprestado pela empresa. Compara sempre com a posição de caixa para encontrar a Dívida Líquida.

Dividend Yield

O dividendo anual expresso como percentagem do preço da ação. Uma ação a 100€ que paga 5€ por ano tem um yield de 5%. Um yield alto pode atrair investidores de rendimento mas também pode ser uma armadilha: se o preço caiu 50% e o dividendo ainda não foi cortado, o yield parece artificialmente elevado. Verifica sempre o payout ratio e a cobertura pelo FCF antes de confiares num yield alto. Os pagadores mais fiáveis situam-se entre 2-4% com décadas de aumentos consecutivos.

Dividendo por Ação (DPS)

O total de dividendos pagos ao longo de um ano inteiro a dividir pelo número de ações ordinárias em circulação. Diz a um investidor exatamente quanto dinheiro vivo vai receber por cada ação que detém.

Dividendos Pagos

O dinheiro vivo efetivamente distribuído aos acionistas a partir dos lucros ou reservas da empresa. Ao contrário das recompras de ações (que aumentam a tua percentagem de posse de forma invisível), os dividendos colocam dinheiro sonante diretamente na tua conta.

E
EBITDA

Uma medida da rentabilidade operacional central da empresa, excluindo impostos, juros e despesas não monetárias (como depreciação). Significa Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Remove as decisões de financiamento e jurisdições fiscais para isolar a performance real. Útil para comparar empresas de diferentes países e estruturas de capital. Mas ignora completamente as despesas de capital, que podem ser enormes. Warren Buffett perguntou uma vez: "A gestão acha que a fada dos dentes é que paga as despesas de capital?"

EPS (Lucro por Ação)

Lucro líquido total dividido pelo número de ações em circulação. É a base de muitas métricas de avaliação, incluindo o P/E. Existem duas versões: básico (número real de ações) e diluído (assume que todas as stock options e títulos convertíveis são exercidos). Usa sempre o EPS diluído para uma análise conservadora.

EPS Diluído (Lucro por Ação)

A parte do lucro de uma empresa alocada a cada ação em circulação, assumindo que todos os títulos convertíveis (opções) são exercidos. Mostra quanto lucro está teoricamente ligado a uma única ação. Se o Lucro Líquido subir mas a empresa emitir milhões de novas ações, o EPS pode até cair.

EV/EBITDA

Mostra quantos anos seriam precisos para que o lucro operacional da empresa pagasse o seu preço total de compra (incluindo dívida). Calcula-se como Enterprise Value dividido pelo EBITDA. Melhor que o P/E para comparar empresas com níveis de dívida e situações fiscais diferentes porque o EV inclui a dívida e o EBITDA exclui juros e impostos. Um EV/EBITDA de 10x significa que um comprador pagaria 10 anos de fluxo de caixa operacional para adquirir toda a empresa, dívida incluída. É a métrica que bancos de investimento e fundos de private equity mais usam para avaliar preços em transações de M&A. Menor é geralmente mais barato.

F
FCF (Fluxo de Caixa Livre)

O dinheiro que sobra depois de uma empresa pagar os custos operacionais e as despesas de capital. Ao contrário do lucro líquido, que os contabilistas podem moldar com calendários de depreciação e encargos extraordinários, o FCF representa dinheiro real no banco. Pode ir para dividendos, recompra de ações, pagamento de dívida ou aquisições. Uma empresa que reporta lucros mas queima caixa todos os anos tem um problema sério. O FCF é o oxigénio de um negócio.

Fluxo de Caixa de Financiamento

Mostra os fluxos líquidos de dinheiro usados para financiar a empresa. Inclui transações envolvendo dívida, ações e dividendos. Emitir ações ou contrair dívida traz dinheiro (positivo); recomprar ações ou pagar dívida envia dinheiro para fora (negativo).

Fluxo de Caixa de Investimento

Dinheiro gerado ou gasto em ativos de longo prazo e investimentos. Inclui comprar/vender propriedades, equipamentos (CapEx) ou adquirir outras empresas. Esta secção é geralmente negativa para empresas em crescimento.

Fluxo de Caixa Operacional

O dinheiro vivo efetivamente gerado pelas atividades regulares do negócio. Remove itens não monetários (como depreciação) e variações no capital circulante. É muito mais difícil de manipular com truques contabilísticos do que o Lucro Líquido.

G
Goodwill e Intangíveis

Ativos que não são de natureza física. Intangíveis incluem patentes, marcas registadas e direitos de autor. Goodwill surge quando uma empresa compra outra por um preço superior ao valor justo dos seus ativos líquidos, representando o valor da marca.

I
Inventário

As matérias-primas, produtos em curso e produtos acabados prontos para venda. Um aumento maciço no inventário pode ser um sinal de alerta de que os produtos não estão a vender e podem ter de ser escoados com desconto.

L
Liquidez Corrente

Mede se a empresa consegue pagar as suas dívidas de curto prazo (próximos 12 meses) usando apenas os seus ativos mais líquidos. Calcula-se como ativos correntes divididos por passivos correntes. Acima de 1,0 significa mais ativos de curto prazo do que dívidas de curto prazo, um sinal saudável. Abaixo de 1,0 pode sinalizar problemas de liquidez. Rácios muito altos (acima de 3,0) podem sugerir uso ineficiente do caixa. A maioria das empresas saudáveis situa-se entre 1,2 e 2,0.

Lucro Bruto

O lucro que a empresa tem depois de deduzir os custos diretos de produzir e vender os seus produtos. Revela a margem fundamental que a empresa consegue cobrar pelos seus produtos. Se o lucro bruto está a encolher, a empresa pode estar a perder poder de preço.

Lucro Líquido

O que sobra para a empresa depois de todas as despesas operacionais, juros e impostos terem sido pagos. Frequentemente chamado de "bottom line". Embora seja a métrica de lucro mais famosa, pode ser distorcida por regras contabilísticas e eventos não recorrentes.

Lucro Operacional

O lucro obtido pelas operações de um negócio, após deduzir as despesas operacionais mas antes de deduzir juros e impostos. Também conhecido como EBIT. Diz-te quanto dinheiro o negócio central realmente ganha nas suas operações diárias.

Lucros Retidos

A porção acumulada do lucro líquido histórico da empresa que não foi distribuída como dividendos, mas sim retida para reinvestimento no negócio. Representa a verdadeira criação de riqueza histórica da firma.

M
Margem Bruta

A percentagem da receita que resta após subtrair o custo direto de produzir bens ou serviços (COGS). Uma margem bruta de 70% significa que a empresa fica com 0,70€ de cada 1€ vendido para cobrir operações, I&D, marketing e lucro. Empresas de software tipicamente atingem 75-90% (o custo marginal de mais um utilizador é quase zero). Retalhistas operam a 25-40%. Se a margem bruta é baixa ou está a cair, nenhum corte de custos mais abaixo salvará o negócio.

Margem de Segurança

A diferença entre o valor intrínseco estimado de uma ação e o seu preço atual no mercado. Se calculas que uma empresa vale 100€ por ação e a ação está a 65€, a tua margem de segurança é de 35%. O conceito foi criado por Benjamin Graham e é a pedra angular do value investing. Uma margem ampla protege contra erros na tua análise, más surpresas e pânicos de mercado. Graham recomendava comprar apenas com uma margem de 30-50%.

Margem Líquida

A percentagem de cada euro de receita que se transforma em lucro real para os acionistas depois de pagar tudo: custos de produção, despesas operacionais, juros da dívida e impostos. Uma margem de 20% significa que a empresa fica com 0,20€ de lucro puro por cada 1€ vendido. Luxo e software frequentemente ultrapassam 25%. Supermercados e companhias aéreas arrastam-se entre 1-3%. Comparar margens líquidas entre setores não faz sentido. Compará-las dentro do mesmo setor revela quem tem poder de preço e disciplina de custos superiores.

Margem Operacional

A percentagem da receita que resta após pagar tanto o COGS como todas as despesas operacionais (salários, rendas, I&D, marketing). Mostra a eficiência com que o negócio central converte vendas em lucro operacional, antes de juros e impostos. Margens operacionais a expandir ao longo do tempo sinalizam uma empresa bem gerida com poder de preço. Exemplo: se a receita cresce 10% mas os custos operacionais crescem apenas 5%, a margem expande e cada nova venda torna-se mais lucrativa que a anterior.

Market Cap (Capitalização de Mercado)

Representa o valor total de mercado de todas as ações em circulação da empresa. Abreviatura de Capitalização de Mercado, é calculado multiplicando o preço atual da ação pelo número total de ações em circulação. Diz-te quanto custaria comprar a empresa inteira neste momento. As empresas são geralmente divididas em mega-cap (+200B$), large-cap (10B$-200B$), mid-cap (2B$-10B$) e small-cap (300M$-2B$).

Moat (Vantagem Competitiva)

Um termo popularizado por Warren Buffett para as vantagens competitivas duradouras que protegem os lucros de uma empresa contra concorrentes. Os cinco tipos clássicos: (1) Poder da marca (Apple, Coca-Cola), (2) Efeitos de rede (Visa, Meta), (3) Vantagens de custo (Costco, Ryanair), (4) Custos de mudança (Microsoft Office, SAP), e (5) Ativos intangíveis como patentes e licenças. Um moat amplo permite à empresa sustentar ROIC elevado durante décadas, o fator mais importante na criação de riqueza a longo prazo.

O
OPEX (Despesas Operacionais)

Os custos recorrentes de gerir o negócio no dia a dia: rendas, salários, eletricidade, marketing, I&D. Ao contrário do Capex, o Opex impacta a demonstração de resultados imediatamente no período em que ocorre. Empresas que fazem crescer a receita mais rápido do que o Opex têm "alavancagem operacional," o que significa que cada euro adicional de vendas contribui mais para o lucro final. É assim que as margens expandem ao longo do tempo.

P
Payout Ratio

A proporção dos lucros distribuída como dividendos, expressa em percentagem. Um rácio de 40% significa que a empresa distribui 40% e retém 60% para reinvestimento. Acima de 100% significa que paga mais do que lucra, o que é insustentável e costuma preceder um corte de dividendos. Para a maioria das empresas maduras, a faixa saudável é 30-60%. Os REITs são uma exceção porque são obrigados por lei a distribuir pelo menos 90% do rendimento tributável.

Pesquisa e Desenvolvimento (I&D)

Dinheiro gasto para inovar, criar novos produtos ou melhorar os existentes. Embora reduza os lucros atuais, fortes gastos em I&D são frequentemente a semente para o crescimento futuro nos setores tecnológico, farmacêutico e industrial.

R
Rácio Dívida/Capital Próprio

Mostra a proporção dos ativos de uma empresa que é financiada por dívida face ao capital próprio. Calcula-se como dívida total dividida pelo capital próprio. Um D/E de 1,0 significa quantidades iguais de dívida e capital próprio. Acima de 1,0 significa mais dívida do que capital. A alavancagem amplifica tudo: em anos bons, o dinheiro emprestado potencia os retornos dos acionistas; em anos maus, os pagamentos fixos de juros podem esmagar uma empresa. Utilities e bancos carregam rácios D/E acima de 1,5 rotineiramente. Empresas tecnológicas frequentemente operam com pouca ou nenhuma dívida. A subida das taxas de juro atinge com mais força as empresas muito alavancadas.

Rácio P/B (Preço/Valor Contabilístico)

Compara a capitalização de mercado com o valor contabilístico (ativos menos passivos no balanço). Um P/B abaixo de 1,0 significa que a ação é negociada por menos do que o valor contabilístico dos seus ativos líquidos, um sinal clássico de value investing. Mas o valor contabilístico baseia-se no custo histórico e pode subestimar enormemente o valor de negócios ricos em intangíveis como software ou marcas de luxo. Mais relevante para bancos, seguradoras e imobiliárias onde os ativos tangíveis dominam.

Rácio P/E (Preço/Lucro)

O múltiplo de avaliação mais citado em finanças. Divide o preço da ação pelo lucro por ação. Um P/E de 20 significa que os investidores pagam 20€ por cada 1€ de lucro anual. Um P/E alto pode refletir expectativas de crescimento forte ou sobrevalorização. Um P/E baixo pode sinalizar uma oportunidade ou uma empresa em declínio. O contexto importa: compara o P/E dentro do mesmo setor e verifica se os lucros estão num pico ou vale cíclico.

Rácio P/E (Preço/Lucro)

Mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada euro de lucro anual da empresa. Conhecido como Rácio Preço/Lucro (Price-to-Earnings), é a métrica de avaliação mais popular do mundo. Um P/E de 20 significa que estás a pagar 20$ por cada 1$ que a empresa lucra. Um P/E alto implica que os investidores esperam muito crescimento futuro (ou a ação está cara). Um P/E baixo implica baixas expectativas (ou a ação está barata). É mais útil quando se compara empresas semelhantes no mesmo setor.

Rácio P/FCF

Capitalização de mercado dividida pelo fluxo de caixa livre. Semelhante ao P/E mas usa a geração real de caixa em vez dos lucros contabilísticos. Como o FCF é muito mais difícil de manipular pela gestão do que os lucros reportados, muitos investidores experientes preferem-no. Uma empresa a 15x P/FCF gera caixa real suficiente para "pagar de volta" todo o seu valor de mercado em 15 anos, assumindo que tudo se mantém igual. Especialmente valioso para negócios intensivos em capital onde a diferença entre lucros e caixa pode ser grande.

Rácio P/S (Preço/Vendas)

Capitalização de mercado dividida pela receita total. Funciona mesmo quando uma empresa não dá lucro, o que a torna a métrica de referência para empresas de tecnologia e biotecnologia em crescimento acelerado. Um P/S de 10 significa que os investidores pagam 10€ por cada 1€ de receita. O senão: a receita não diz nada sobre rentabilidade. Uma empresa com 1B€ em vendas e margem zero é muito diferente de uma com 1B€ em vendas e margens de 30%.

Receita (Vendas)

O valor total de dinheiro que a empresa traz através das suas vendas, antes de qualquer despesa. Também conhecido como "top line", é o combustível cru de qualquer negócio. Se a receita não cresce ao longo do tempo, a empresa está a estagnar ou a encolher.

Recompra de Ações

Quando a empresa compra as suas próprias ações no mercado e as retira de circulação. Isto reduz o número total de ações em circulação, fazendo com que cada ação restante valha uma fatia maior da empresa. É uma forma fiscalmente muito eficiente de devolver capital aos acionistas.

ROA (Retorno sobre os Ativos)

Mede a eficiência com que uma empresa usa o seu total de ativos para gerar lucros líquidos. Calcula-se como lucro líquido dividido pelo total de ativos. Ao contrário do ROE, não pode ser inflacionado por dívida porque usa a base total de ativos independentemente de como foram financiados. Especialmente útil para bancos e empresas financeiras onde a alavancagem faz parte do modelo de negócio. Um banco com um ROA de 1,5% é considerado muito bom. Uma empresa industrial precisa de valores bem mais altos para justificar o seu capital.

ROE (Retorno sobre o Capital Próprio)

Mede quanto lucro líquido a empresa gera por cada euro investido pelos seus acionistas. Calcula-se como lucro líquido dividido pelo capital próprio. Um ROE acima de 15-20% é geralmente bom, mas precisa de contexto: uma empresa pode inflacionar o ROE ao carregar-se de dívida, o que encolhe a base de capital. Um ROE de 30% suportado por dívida moderada é excelente. O mesmo 30% alimentado por alavancagem perigosa é um sinal de alerta. Verifica-o sempre em conjunto com o rácio Dívida/Capital Próprio.

ROIC (Retorno sobre o Capital Investido)

Mede a eficiência com que uma empresa transforma o seu capital total investido (capital próprio mais dívida) em lucros operacionais. Calcula-se como NOPAT dividido pelo capital investido. Quando o ROIC se mantém acima do WACC ano após ano, cada euro reinvestido cria valor. É o sinal quantitativo mais forte de uma vantagem competitiva duradoura ou moat.

T
Total de Ativos

Tudo aquilo que a empresa possui e que tem valor económico, desde dinheiro em caixa a edifícios e patentes. A equação fundamental da contabilidade dita que o Total de Ativos tem de ser sempre igual ao Total de Passivos mais o Capital Próprio.

Total de Ativos Correntes

Todos os ativos de uma empresa que se espera que sejam vendidos, consumidos ou esgotados no prazo de um ano. Usado para calcular rácios de liquidez para garantir que a empresa sobrevive aos próximos 12 meses sem falir.

Total de Passivos

Tudo o que a empresa deve a terceiros, incluindo dívida, contas a pagar, receitas diferidas e obrigações de pensões. Se o Total de Passivos exceder o Total de Ativos, a empresa tem capital próprio negativo (falência técnica).

Total de Passivos Correntes

Todas as obrigações financeiras de curto prazo de uma empresa que vencem no prazo de um ano. Comparado com os Ativos Correntes para determinar se a empresa está a enfrentar uma crise iminente de liquidez.

V
Valor da Empresa (EV)

O preço teórico de comprar todo o negócio. Igual à capitalização de mercado mais a dívida total, menos o caixa. A lógica: se comprares uma empresa, herdarás as dívidas (tens de as pagar) e o caixa (que compensa o custo). O EV dá uma imagem muito mais precisa do valor real do que apenas a capitalização de mercado, especialmente quando comparas empresas com níveis de dívida muito diferentes. Uma empresa com 10B$ de market cap, 5B$ de dívida e 1B$ de caixa tem um EV de 14B$.

Variação Líquida de Caixa

A soma dos fluxos de caixa operacionais, de investimento e de financiamento. Mostra exatamente quanto o saldo bancário da empresa subiu ou desceu durante o período. Se for consistentemente negativo, a empresa está a sangrar dinheiro e vai precisar de financiamento.

Vendas, Gerais e Administrativas

As despesas de Vendas, Gerais e Administrativas representam os custos indiretos de gerir um negócio. Inclui marketing, comissões de vendas, salários de executivos e material de escritório. Warren Buffett evita empresas com SG&A excessivamente alto face ao lucro bruto.

W
WACC (Custo Médio Ponderado de Capital)

A taxa média que uma empresa paga para financiar os seus ativos, combinando o custo da dívida e do capital próprio. Representa o retorno mínimo que uma empresa precisa de gerar para satisfazer acionistas e credores ao mesmo tempo. Num DCF, o WACC é a taxa de desconto: um WACC mais alto faz com que os fluxos de caixa futuros valham menos hoje, o que reduz o valor justo. A maioria das empresas maduras tem um WACC entre 8% e 12%.

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